Sinto que esses poemas do Orfel têm sido jogados aqui como espécies de rascunhos. Não acredito na qualidade plena desses poemas, mas eles poderiam ter nascido melhores. quem sabe 2010 não será um ano de mais trabalho sobre estes objetos… será que continuo!? Sigamos… ao inferno! :)

Para minha avó, que se prepara para se tornar jovem.


Aparece no céu um misterioso traço

mistério insondável nas ruas, dentre os prédios, sob os telhados

Toda a gente a se perguntar de onde? e por quê?

enquanto a nova e velha árvore crescem para o espaço


almoça entediado um jovem e sua família milenarmente e levemente felizes

em segredo, na panela, o macarrão já deseja o corpo do rapaz

a correr em campos de trigo sob uma chuva de amores e tomates


No sétimo dia, Deus em voz de festa fez uma missa chata

enrugando a paciência dos meninos, das meninas, pouco a pouco.

Em passos tristes, caminha a eterna jovem, eterna e pulsante num negro vestido


Os barcos dos homens seguem pra secretas ilhas

e quando quase se acostmam com a solidão

as avós vão se tornando mães, filhas…

(02:27
13/12/09)

Na sala de aula

devolvi provocação da professora

e falei dos poemas lindos da Mari.

Tímida. Brava feito menino que bate.

Me olhou feio.

Falei por que gosto!

Ela apagava e tirou as borrachinhas da folha como quem decepa.

Uma coruja branca de morte

pousou na janela.

Branca de morte? Que bonito.

A Léo falou comigo

e eu perdi um poema

que a professora lia.

Mariana me espetou pelas costas.

Gosto de poesia,

Não mais de meninas.

Cada destino que traças

ilumina meus pedidos:

cadeia estrelante de passos

dos meus até os teus olhos


cada caminho atravessas

que não sei seguir sozinho:

cadência estrelante e aberta

dos teus até meu destino


tantas noites me despertas.

penso ter alguém comigo:

carícias acesas estralam

sem sono um cansado olvido.

17/11/09 19:22

Folhas cobriam

meu caixão de outono.

Súbito, ventou paixão.

Noites cheias, luas quentes.

Mormaços reviram tentam

prender  paixão entredentes.

Na Árvore do jardim

do começo estava,

a despeito de serpes convenções,

a coruja

a ceder

a ensinar

a comer

a maça

sem bem ou mal

alheia a tal e qual

e qualquer paraíso

que não fosse original

e com bem ou mal

conjurou o papel

em casa nova

literária

e voou

deixando uma árvore de luz

e um canto mau.

Quando a coruja canta

canta contra morte

ou a morte toda viva

canta conspirante

contra as coisas do comum,

o podre pó com tempo

de pecadoras sacristias

que são pregadas de morte

ou de vidas baratas.

Quando a gente caçava curupiras no quintal

nos perdíamos nas florestas brincando

na real lenda real distante

que a gente ouvia

a coruja piando pra ajudar a gente

mas ajudar o curupira nos confundir

nos mandando para o certo

que ninguém nunca escavou

nem piratas, nem quintais

e tomávamos todos café

noturnos

com curupiras

piratas parentes

primos e primas

e pipoca

engalhados na goiabeira.

Um sarrinho:

Brás Cúbico,

Drummondiano,

corujas chamam mau humor

de poetas de mau gosto,

álvaros de campos verdes.

Corujas não atrem sorte.

Outras azar não chamam.

Dos galhos nos contam

as pedras nos caminhos

e as paixões dos mesmos.

Sorriso real. Maldissaber

e rir e rir ru ru

ver caolho genial

que quase a gente pode ser

o que quiser

(devemos ao menos)

deveríamos -

escrevamo-nos -

sorrir.

Pra ficar seguro

vigiando a casa

noturno

não tranque as portas

nem feche as janelas

que nos dias estão abertas

nem confia nos sentidos

que à noite nos enganam

tome na cama

entre as mãos e qualquer medo

pra ficar seguro

o dia

a noite

o dia

a noite

o dia…

(2006?)

Bom humor

necessário.

   Quando ouvi línguas que bois falavam

   desacreditei – violentas.

   e fui por uma vereda escura

  

   sem dia

   sem dó

   sem mim.

 

   Acordei num sertão mágico de bois

   falando línguas de meninos

   sonhando acordados – labutança.

   Mas se entendiam, boisomens.

   Era como pôr os óculos

   Ver bonito um chuvoso afundo demundo.

    Tenho Dito!

 

    Acordei sem margens nem ramagens.

    Um avião desgovernou meio do tudo.

    E cada boi falava cor de fala diferente.

    Sem tradução, sem douta causa.

 

   Chorei caixão de antigos e

    saudadei mais-não de amores não podidos.

 

   – Ô, dotô,

   – Que foi?

   – O diabo no meio,

   Cheio em meu rodamundinho.

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